Caiado critica Lula, defende anistia e aposta em crescimento gradual na disputa presidencial

 

Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás, vai disputar a Presidência da República pelo PSD Foto: Taba Benedicto/Estadão.

Caiado endurece discurso contra Lula e propõe reformas no STF e no sistema político

Por Delmo Menezes

O pré-candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) apresentou um discurso crítico ao governo federal e traçou as bases de sua estratégia eleitoral em entrevista ao Estadão. Com mais de quatro décadas de vida pública, o ex-governador de Goiás aposta na experiência administrativa e no crescimento gradual de sua candidatura para se viabilizar na corrida pelo Palácio do Planalto.

Durante a entrevista, Caiado fez duras críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), acusando-o de utilizar programas sociais com finalidade eleitoral. Ao comentar o Desenrola Brasil, voltado à renegociação de dívidas, o pré-candidato afirmou que a iniciativa não resolve o problema estrutural do endividamento das famílias brasileiras.

Segundo ele, medidas como essa atuam apenas de forma paliativa e não enfrentam questões como juros elevados e perda de renda. Caiado também criticou propostas como a ampliação da isenção do Imposto de Renda, classificando-as como ações com impacto limitado no orçamento das famílias, especialmente diante do alto custo do crédito no país.

Cautela com adversários e crítica a “falso positivo”

Sem citar diretamente nomes, Caiado demonstrou preocupação com candidaturas que aparecem bem posicionadas nas pesquisas desde o início, em uma referência indireta ao senador Flávio Bolsonaro (PL). Para ele, esse cenário pode representar um “falso positivo”, já que os eleitores ainda não tiveram acesso a debates mais aprofundados.

“O processo eleitoral é longo, e a consolidação de uma candidatura depende do conhecimento do eleitor e da comparação de propostas”, indicou.

Desconhecimento do eleitorado é principal desafio

O próprio Caiado reconheceu que seu maior obstáculo neste momento é o baixo nível de conhecimento nacional. Segundo pesquisas citadas por ele, mais de 50% do eleitorado ainda não conhece sua trajetória.

“Concordo plenamente. Eu sou desconhecido por mais da metade da população brasileira que vai votar. Mas onde me conhecem, eu tenho 88% de aprovação”, disse Caiado.

Apesar disso, o pré-candidato afirma confiar na reversão desse quadro ao longo da campanha, principalmente com o início dos debates e maior exposição na mídia. Ele comparou sua candidatura à música sertaneja, que, segundo ele, conquistou o país gradualmente.

Caiado também destacou os índices de aprovação de sua gestão em Goiás como principal ativo político. Segundo ele, os resultados obtidos em áreas como segurança pública, educação e gestão fiscal serão apresentados como vitrine ao eleitorado nacional.

Propostas e agenda política

No campo programático, o pré-candidato defendeu uma agenda voltada ao combate à corrupção, fortalecimento da segurança pública, geração de empregos e ampliação de investimentos em infraestrutura. Ele também anunciou o ex-ministro Roberto Brant como coordenador de seu plano de governo.

Caiado afirmou ainda que pretende resgatar o presidencialismo com maior clareza na execução de políticas públicas, criticando o atual modelo de distribuição de emendas parlamentares, que, segundo ele, fragmenta a responsabilidade sobre o orçamento.

Críticas ao STF e defesa de anistia

Outro ponto de destaque da entrevista foi a crítica ao Supremo Tribunal Federal (STF), que, na avaliação de Caiado, tem extrapolado suas funções. O pré-candidato defendeu uma reforma na Corte, incluindo mudanças nos critérios de escolha dos ministros.

Além disso, reiterou a defesa de anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, argumentando que a medida seria necessária para encerrar o ciclo de polarização política no país.

Alianças e posicionamento político

Caiado também reconheceu dificuldades na construção de alianças, especialmente para candidaturas de oposição ao governo federal. Ainda assim, afirmou manter diálogo aberto com diferentes setores e partidos.

Sobre seu posicionamento ideológico, rejeitou rótulos e disse manter coerência ao longo de sua trajetória política, como da livre iniciativa, do direito de propriedade e da economia de mercado.

Política externa e pauta trabalhista

Na área internacional, o pré-candidato adotou um tom moderado, defendendo o diálogo entre países e criticando posturas que possam gerar tensões diplomáticas desnecessárias.

Já em relação à pauta trabalhista, evitou um posicionamento definitivo sobre o fim da escala 6×1, propondo, em vez disso, um modelo baseado em horas trabalhadas, com maior flexibilidade para trabalhadores e empregadores.

Estratégia: crescer ao longo da campanha

De forma geral, Caiado aposta em uma estratégia de crescimento gradual, baseada na exposição de sua experiência administrativa e no confronto de ideias durante o processo eleitoral.

Para ele, o eleitorado só tomará uma decisão mais consistente na reta final da campanha, quando os candidatos estiverem mais conhecidos e suas propostas mais claras.

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Da Redação do Agenda Capital

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