Lula recua do apoio evangélico e acende alerta no Planalto para 2026

Com rejeição crescente no segmento religioso, presidente avalia ser inviável aproximar-se das igrejas; aliados temem impacto decisivo do voto evangélico no próximo pleito presidencial.
Por Redação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu encerrar a tentativa de conquistar o apoio dos evangélicos, um dos segmentos mais influentes e organizados da política brasileira. A avaliação, segundo aliados próximos, é que a rejeição no setor aumentou a ponto de inviabilizar qualquer aproximação efetiva, acendendo um sinal de alerta para as eleições de 2026.
De acordo com a mais recente pesquisa DataFolha, a avaliação negativa de Lula entre os evangélicos subiu de 50% para 55% entre junho e julho. O avanço desse índice reforçou, no núcleo político do Planalto, a percepção de que não há espaço para uma guinada de imagem junto a esse público, tradicionalmente mais identificado com o bolsonarismo e agendas conservadoras.
Há cerca de um ano e meio, o então ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e a senadora Eliziane Gama (PSD) tentaram articular a entrada do pastor Ronaldo Fonseca — ex-ministro no governo Temer e influente líder da Assembleia de Deus — na coordenação do segmento evangélico em nível nacional. A iniciativa, porém, não prosperou.
Cansaço político e mudança de estratégia
Interlocutores relatam que Lula, aos 79 anos e em seu terceiro mandato, demonstra menor disposição para movimentos de articulação política intensos, especialmente em áreas de difícil penetração para o PT. A postura atual contrasta com o líder combativo de 2003 a 2010, que frequentemente buscava ampliar pontes com diferentes setores.
No caso dos evangélicos, a única ligação consistente do governo é o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias. Embora respeitado em algumas denominações, Messias é considerado insuficiente, sozinho, para reverter a percepção negativa consolidada contra Lula e seu governo.
Um sinal claro da mudança de rota é a ausência, nos últimos discursos do presidente, de referências religiosas – recurso que, até pouco tempo, era explorado para gerar empatia. “Lula cansou”, resumiu um aliado ouvido pela imprensa.
Peso político do voto religioso
O distanciamento preocupa o Planalto porque, segundo analistas, o voto religioso tende a ter um peso considerável nas eleições presidenciais de 2026. O crescimento das igrejas evangélicas, aliado à sua forte capacidade de mobilização, pode definir resultados em disputas apertadas.
O eleitorado evangélico, estimado em mais de 35% da população brasileira, tem se mostrado fiel a pautas conservadoras e a lideranças políticas alinhadas a esses valores. Em 2022, foi decisivo para a votação expressiva de Jair Bolsonaro (PL), e projeções indicam que sua influência continuará crescente nos próximos anos.
Medo de desgaste e de exposição negativa
O receio de Lula não é apenas de baixa receptividade, mas de hostilidade explícita. Em abril, por exemplo, o senador Carlos Viana (Podemos-MG) chegou a propor um encontro entre o presidente e lideranças da Igreja Batista. Lula recusou, alegando temer vaias e constrangimento público.
Essa cautela, porém, não será seguida integralmente pelo PT. Mesmo com a desistência pessoal do presidente, a legenda seguirá investindo em ações para tentar reduzir a rejeição no segmento. Em maio, a Fundação Perseu Abramo, braço de formação política do partido, promoveu o curso “Fé e Democracia para Evangélicos e Evangélicas”, iniciativa voltada à aproximação com pastores e fiéis.
Análise: risco eleitoral e isolamento estratégico
A opção de Lula por abandonar a disputa direta pelo apoio evangélico pode trazer consequências relevantes. Em termos eleitorais, significa ceder terreno a adversários que já dominam essa base. Politicamente, reforça a imagem de que o governo não dialoga com setores ideologicamente divergentes.
Por outro lado, aliados apontam que insistir numa aproximação poderia consumir energia política e gerar mais desgastes que ganhos. A resistência ao petista nesse público é antiga, alimentada por discursos religiosos que o associam a pautas progressistas contrárias à agenda conservadora das igrejas.
O desafio para o PT será construir pontes indiretas, possivelmente por meio de lideranças locais e políticas sociais que alcancem comunidades evangélicas, sem exigir a presença direta de Lula. Afinal, em uma eleição nacional, ignorar um bloco de milhões de eleitores organizados e politicamente ativos pode ser um erro estratégico com alto custo em 2026.
Sem ação efetiva, Lula e o PT correm o risco de repetir ou até ampliar a derrota entre evangélicos vista em 2022, comprometendo o desempenho em estados populosos. É possível reduzir a rejeição e neutralizar parte da campanha adversária, mesmo sem conquistar apoio maciço. Se o PT investir de forma coordenada, pode até conquistar nichos evangélicos moderados, enfraquecendo o monopólio da direita sobre o voto religioso, o cenário, porém não é favorável diante dos últimos acontecimentos políticos.
O PT, contudo, não pretende abandonar completamente esse eleitorado. Em maio, a Fundação Perseu Abramo realizou o curso “Fé e Democracia para Evangélicos e Evangélicas”, numa tentativa de abrir canais de diálogo indiretos.
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Da Redação do Agebda Capital
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