SES-DF lança projeto “AVC no Quadrado” para ampliar atendimento e salvar vidas

 

O evento realizado na Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências de Saúde (Fepecs) contou com a presença de gestores da saúde e autoridades federal e do GDF. Foto: Agenda Capital.

Iniciativa fortalece rede de atendimento ao Acidente Vascular Cerebral e traz tecnologia inovadora ao Hospital de Base do DF

Por Delmo Menezes

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) lançou, nesta quinta-feira (29), o projeto “AVC no Quadrado”, uma importante iniciativa voltada para a ampliação e modernização do atendimento às vítimas de Acidente Vascular Cerebral (AVC) na capital federal. O evento ocorreu no auditório da Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde (Fepecs) e reuniu autoridades, profissionais de saúde e pacientes que venceram a doença.

Com o projeto, dois hospitais da rede pública – os Hospitais Regionais do Gama (HRG) e de Sobradinho (HRS) – passam a realizar a trombólise endovenosa, técnica até então disponível apenas no Hospital de Base do DF (HBDF). Esse avanço descentraliza o atendimento e promete ampliar significativamente as chances de recuperação dos pacientes. O HBDF, por sua vez, incorpora um método inédito e avançado no Brasil: a trombectomia mecânica, capaz de tratar casos selecionados até 24 horas após o AVC, um ganho inestimável em tempo e qualidade de vida.

Gestores da Saúde prestigiaram o lançamento do projeto “AVC NO Quadrado”. Foto: Sandro Araújo/Agência Saúde-DF

“Os impactos desse projeto são inúmeros. A partir do momento em que paramos para pensar em uma entrega de valor para a população, trabalhamos com propósito”, celebrou o secretário de Saúde do DF, Juracy Cavalcante. Ele enfatizou que o sucesso do projeto depende da integração entre os diversos atores do sistema, incluindo o Corpo de Bombeiros, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (IgesDF).

“É um projeto que salva vidas. E mais do que isso: que garante dignidade aos sobreviventes, evitando que milhares de pessoas tenham suas rotinas interrompidas por sequelas evitáveis”, concluiu o secretário Juracy Cavalcante.

Avanços e tecnologia a serviço da vida

Segundo dados internacionais, uma em cada quatro pessoas terá um AVC ao longo da vida, sendo que a maioria dos casos ocorre em países de baixa e média renda. No Brasil, são cerca de 120 mil mortes por ano em decorrência do AVC, com uma vítima a cada sete minutos. Além disso, aproximadamente 70% dos sobreviventes enfrentam algum grau de incapacidade e 50% tornam-se dependentes para atividades do cotidiano.

O tratamento por trombólise endovenosa, agora expandido para o HRG e HRS, já demonstrou eficácia. A cada 100 pacientes que recebem o procedimento, 32 apresentam melhora clínica significativa e 13 se recuperam sem sequelas. O método consiste na aplicação de medicamentos para dissolver o coágulo responsável pelo bloqueio da artéria, restaurando o fluxo sanguíneo no cérebro.

Já a trombectomia mecânica, disponível no HBDF, é um procedimento de alta complexidade que utiliza dispositivos para remover fisicamente o coágulo do vaso cerebral. “Essa técnica representa um avanço imenso. Ela estende a janela de tratamento e aumenta as chances de recuperação com qualidade de vida”, explicou a médica neurologista da SES-DF, Letícia Rebello.

Letícia também destacou a adoção da ferramenta de telemedicina Telestroke, que permite a integração das equipes hospitalares em tempo real, com o envio de exames de imagem por celular. “É um marco. Nunca havíamos conseguido esse nível de conexão entre os profissionais da rede. Isso vai revolucionar a assistência ao paciente com AVC”, declarou.

Depoimento inspirador

Durante o lançamento, o público ouviu o depoimento emocionado de Vítor Paulo Júnior, 35 anos, que sofreu um AVC há dois anos e se recuperou quase sem sequelas. “Sei da importância de um atendimento rápido. Esse programa ajuda a dar visibilidade ao tema e a salvar vidas”, afirmou.

Integração com outras ações

A secretária-adjunta de Assistência à Saúde da SES-DF, Edna Maria Marques, ressaltou os avanços no tratamento de doenças cardiovasculares e anunciou a intenção de tornar o projeto “AVC no Quadrado” um modelo para todo o país. Ela também mencionou o projeto Sprint, desenvolvido em parceria com o HBDF e o Instituto de Cardiologia e Transplantes do DF (ICTDF), voltado para acelerar o diagnóstico e o tratamento de infarto agudo do miocárdio, utilizando ferramentas como o eletrocardiograma e a telemedicina.

“O objetivo é garantir que o paciente com suspeita de infarto chegue com rapidez ao atendimento, com protocolo bem definido e equipe preparada. Tanto o HBDF quanto o ICTDF estão prontos para isso”, destacou Edna Marques.

Dra. Edna Marques, secretária-adjunta de assistência à saúde; Dra. Lucylene Messias, segunda Interventora do ICTDF e Dra. Nelma Louzeiro, Secretária-Adjunta de Gestão em Saúde. Foto: Agenda Capital.

A gestora Lucylene Messias, segunda interventora do ICTDF, também esteve presente no evento, reforçando o compromisso do instituto com a modernização e humanização do atendimento cardiovascular no DF.

Impacto nos cofres públicos

Além das perdas humanas e sociais, o AVC também representa um alto custo para o sistema de saúde. Em 2023, o DF gastou mais de R$ 7,4 milhões com internações por AVC, com uma média de R$ 2,9 mil por hospitalização. Investimentos em prevenção, diagnóstico rápido e tratamentos eficazes como os previstos no projeto podem, a médio e longo prazo, representar economia e mais qualidade de vida para a população.

Um novo capítulo para a saúde do DF

O projeto “AVC no Quadrado” marca uma nova etapa na assistência neurológica da rede pública de saúde do Distrito Federal. Com ampliação de serviços, integração tecnológica, treinamento das equipes e uso estratégico da telemedicina, a iniciativa coloca o DF em posição de vanguarda no tratamento do AVC no Brasil.

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Da Redação do Agenda Capital

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