Morre, aos 93 anos, o apresentador Silvio Santos em São Paulo

 


O apresentador Silvio Santos. Foto: Roberto Nemanis/SBT.

Silvio Santos deixa a viúva Íris Abravanel, com quem era casado desde 1978 e teve as filhas Daniela Patrícia, Rebeca e Renata. Também deixa as filhas Cíntia e Silvia, do primeiro casamento, com Cidinha, que morreu em 1977. O empresário morreu neste sábado (17).Ele é considerado o maior nome da TV brasileira.

Por Redação

O empresário e apresentador Silvio Santos morreu aos 93 anos neste sábado (17). A informação foi confirmada pelo SBT nas redes sociais. Silvio estava internado em um hospital particular na capital desde o início do mês.

O apresentador foi um dos maiores nomes da televisão brasileira, em especial à frente do Programa Silvio Santos, que comandava desde 1963, e do Sistema Brasileiro de Televisão, o SBT, que entrou no ar em 1981.

Em 18 de julho de 2024, o comunicador foi internado no Hospital Albert Einstein, na capital paulista, para se recuperar de H1N1. Teve alta dois dias depois. Em 1º de agosto do mesmo ano, voltou a ser hospitalizado, segundo a assessoria de imprensa da emissora, para passar por exames de imagem.

Silvio Santos nasceu com o nome de batismo Senor Abravanel, em 12 de dezembro de 1930, no bairro da Lapa, no Rio de Janeiro. Seus pais, Alberto e Rebeca, eram imigrantes de origem judia, e ele foi o mais velho de cinco irmãos.

Estudou contabilidade e, no tempo livre, trabalhava como camelô nas ruas do Rio de Janeiro, vendendo canetas e capas de plástico para títulos de eleitor nas eleições de 1946. Na mesma época, começou a fazer pequenos trabalhos de locução de rádio.

Aos 18 anos, em 1948, serviu o Exército na Escola de Paraquedistas. Aos domingos, trabalhava para uma rádio no Rio. Após sair do exército, continuou como locutor, entre outros trabalhos, como a venda de anúncios em caixa de som na barca Rio-Niterói.

Em 1954, Silvio assinou o primeiro contrato fixo como locutor, na Rádio Nacional de São Paulo. Depois, foi chamado pelo empresário Manuel de Nóbrega para ser animador de seu programa na Rádio Nacional.

Ele assumiu em 1958 a empresa Baú da Felicidade, que era antes de Manuel de Nóbrega. No ano seguinte, passou a fazer shows em circos para vender os carnês da empresa.

Silvio também fez sucesso cantando marchinhas de carnaval, como “Coração Corintiano” e “A pipa do vovô”, registradas em álbuns entre os anos 70 e 90.

Morre o apresentador Silvio Santos — Foto: Lourival Ribeiro/SBT/Divulgação

Em 1989, Silvio Santos anunciou que seria candidato a Presidente do Brasil duas semanas antes do primeiro turno da eleição, mas a candidatura foi indeferida pelo TSE uma semana depois.

Em fevereiro 2001, Silvio Santos foi homenageado no Carnaval do Rio pela escola de samba Tradição.

Em agosto do mesmo ano, sua filha Patrícia foi sequestrada por sete dias. Depois que ela foi solta, o sequestrador invadiu a casa de Silvio em São Paulo e o fez como refém por sete horas. O governador de SP na época, Geraldo Alckmin, foi até o local, conversou com o sequestrador, e ele se entregou.

Em 2010, foi descoberto um rombo bilionário em uma das empresas do Grupo Silvio Santos, o Banco Panamericano – mais tarde, em 2018 sete ex-diretores foram condenados pela fraude. Em 2011, Sílvio Santos vendeu o Panamericano para o BTG Pactual.

Em dezembro de 2020, Silvio Santos comemorou 90 anos sem celebrações públicas, isolado por conta da pandemia, ao lado das filhas.

No dia 1º agosto de 2021, já vacinado com duas doses, Silvio voltou a apresentar seu programa pela primeira vez desde 2019.

Semanas depois deste retorno, ele contraiu Covid-19 e foi internado. Ele se recuperou e voltou a gravar o seu programa, mas não no ritmo de antes.

Ao som da música de abertura, “Sílvio Santos vem aí”, ele entrou alegre e dizendo “Para tudo, já estou aqui. Já cheguei!”. Foi a primeira brincadeira de muitas para divertir o público no seu último programa.

Silvio Santos fundou o SBT, emissora em que trabalhou ao longo das últimas quatro décadas.  Foto: ACERVO SBT

Silvio Santos deixa a viúva Íris Abravanel, com quem era casado desde 1978 e teve as filhas Daniela Patrícia, Rebeca e Renata. Também deixa as filhas Cíntia e Silvia, do primeiro casamento, com Cidinha, que morreu em 1977.

Início como camelô

Silvio Santos nasceu no Rio de Janeiro, então capital do Brasil, como Senor Abravanel, em 12 de dezembro de 1930, filho do grego Alberto Abravanel e sua mulher, Rebeca Caro. Ele teve cinco irmãos: Henrique, Leon, Beatriz, Perla e Sara.

O apresentador puxou o lado vendedor de seu pai que, ainda jovem, fugiu da região de Salônica para não servir ao exército, se tornando jornaleiro em Atenas. Na sequência, foi para Marselha, na França, vender pistache e amendoim na rua, o que era proibido. Preso e expulso do país, foi de navio para o Rio de Janeiro, onde trabalhou no porto como intérprete e guia de turistas para juntar dinheiro e abrir uma loja.

Em 1945, ainda adolescente, Silvio despertou para o caminho dos negócios quando se deparou com um homem vendendo capas de plástico para títulos de eleitor na Avenida Rio Branco. Seguiu-o para saber onde ficava seu fornecedor, entrou na loja e comprou uma delas por dois cruzeiros. Levou-a para a rua e ofereceu a quem passava, afirmando ser a última. Com o dinheiro da primeira venda, comprou mais duas e revendeu-as, novamente com o discurso de que era a última – ainda que houvesse outra – e assim por diante.

SBT

O SBT como conhecemos hoje, sigla para Sistema Brasileiro de Televisão, só surgiria oficialmente em 19 de agosto de 1981, quando a emissora tomou, de fato, proporção nacional.

O entretenimento sempre foi o carro-chefe. Hebe Camargo, Flávio Cavalcanti, Gugu Liberato, Ratinho, Raul Gil, Carlos Alberto de Nóbrega, Jô Soares, Serginho Groisman, Marília Gabriela, Otávio Mesquita, Celso Portiolli, Eliana, Angélica, Danilo Gentili, Maisa Silva, entre tantos outros, estão entre os apresentadores que estrelaram programas no canal ao longo das gerações. Todos, é claro, contemporâneos à presença de Silvio Santos, que se acostumou a tomar conta de boas horas da programação dominical. Hoje, é impossível pensar na história do SBT sem atrelá-la automaticamente ao apresentador.

O canal se acostumou a focar outra parcela de seu horário em programação infantil, com diversos desenhos e apresentadores como palhaço Bozo, Angélica, Eliana, Maisa Silva, Yudi Tamashiro e, mais recentemente, Silvia Abravanel, uma das filhas do apresentador, que assim como as irmãs Patrícia e Rebeca, também se aventuram em frente às câmeras. Outras atrações atingiram sucesso com os jovens em décadas distintas, com mais de uma versão, tanto estrangeiras como nacionais, como Chiquititas e Carrossel.

Novelas mexicanas, como A UsurpadoraEsmeraldaMaria do Bairro e Marimar, tornaram-se ‘marca registrada’ do SBT, com diversas reprises dubladas. Do país norte-americano vêm também Chaves e Chapolin, que fizeram sua estreia no Brasil em 1984, sendo exibidos até 2020, quando uma questão envolvendo os direitos autorais entre a Televisa e a família de Roberto Gómez Bolaños, criador da atração, impediu que os seriados continuassem sendo exibidos.

O primeiro telejornal da casa foi o Noticentro, em 1981. Na década de 1990, uma abordagem mais popular foi vista no Aqui Agora. Posteriormente, vieram atrações especiais como o SBT Repórter e o Conexão Repórter, de Roberto Cabrini. Entre os nomes que passaram pela emissora, constam Gil Gomes, Wagner Montes, César Tralli, Celso Russomano, Luiz Bacci, César Filho, Ana Paula Padrão, Sérgio Chapelin, Hermano Henning e Joseval Peixoto.

Nos anos 1980, Silvio Santos chegou a propôr que todas as emissoras de TV no Brasil reservassem o mesmo horário para exibir somente telejornais, por mais simples que fossem, com a intenção de incentivar o público a ficar inteirado das notícias diariamente. A ideia, porém, não foi concretizada.

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Com Agenda Capital/G1/Estadão

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